Hoje eu sou um poema para ser lido e relido,
Declamado, publicado, mas nunca editado!
Um poema de amor, de esperança, grito de guerrra
E louvor.
Escrito nas linhas tortas de Deus e musicado pelo
Atabaque do Banzo de meus ancestrias.
Um poema ou manifesto revolucionário para ser seguido,
Perseguido, incinerado ou banido.
Um poema que fale de rosas e espinhos, e que de tão genial
Seja incompreendido e engavetado.
Hoje eu sou um poema que fala de uma mulher sendo homem,
Sendo vice-versa, o tudo e o nada.
Composto pela emoção sem as regras chatas e gramaticais da razão.
Indo além da métrica com a casinha de Kansas no olho daquele furacão.
Um poema homérico e davídico, verso e prosa, ritmo e parangolé.
Sou um poema para ser e não ser, dar o meu reino por um cavalo
Eir embora a pé para Pásargada.
Um poema lindo de lagum autor desconhecido e inacabado de algum
Gênio consagrado.
De domínio público e secular, de namorado bobo ou de um trabalho
Escolar.
Hoje eu sou um poema de um poeta morto renascido em citações
Que me eternizam em meu legado e no coração de meus ouvintes
E críticos.