ESPECTRAL

Se desfaz da nudez

Da qual sou freguês

Se reveste um espírito

De um vulto sombrio

Ampla solidão no que sobrou

De um castelo

Amarelos mofados, jardins

De trevas em beijos cacos!

A maciez do belo num espinho

Que permeia a densa pele

Dessa alma que se esvai

Ele cala e a roupa encharca

De lágrima doce como falsos risos

Em parangolés comemorativos

Mas é pura emoção que passo

Estendido esquartejado

Sobre a sombra de um clarão

Alama adúltera que me abandona jaz

Santa écloga tão bem cantada

Ao ser declamada nesse capim!

O turvo e o negro é a pele

Que se espanta e arrepia a cada toque

Ela volta em forma e fôrma de Deusa

Ajeita a nossa mesa e janta o desespero

De nosso incrível recomeçar!

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